Processo criativo | O que os designers fazem quando não têm ideias?
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Leo Burnett: A curiosidade sobre a vida em todos os aspectos é o segredo das pessoas muito criativas.

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Escrito por Ruan Braz

há 3 meses

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Diferente do que muita gente acredita, boas ideias não aparecem pra ninguém. Pelo contrário, precisam ser encontradas através de uma busca constante. É fácil perceber uma boa ideia quando alguém já a implementou e teve resultados, o difícil é fazer isso você mesmo sem continuar no campo das soluções comuns. Realmente não é fácil, mas acredito que qualquer pessoa pode desenvolver ótimas ideias e projetos se compreender o processo criativo.

Nesse post vou detalhar pra você cada passo do meu processo criativo, desde a ideia até a concretização do projeto. Vale lembrar que não há regras aqui, apenas caminhos que deram certo. O processo que vou te apresentar não foi criado por mim. Na verdade ele já vem sendo estudado a bastante tempo e mostrou ser, até então, uma eficiente maneira de projetar.

Repertório e Conexões

O primeiro passo para desenvolver boas ideias e projetos é absorver conteúdos de diversos ângulos possíveis. Este é o alimento para gerar boas conexões. O fato é que, se você for uma pessoa que absorve informação de diversos campos diferentes você poderá conectar pontos que a maioria das pessoas ainda não percebeu. Grande parte das invenções que conhecemos hoje nada mais são do que a conexão de diferentes conceitos que funcionavam separadamente e foram unidos por alguma pessoa.

“O processo de criação é fruto da sua negociação com o mundo” – Cadu Costa

O segredo para manter sua criatividade sempre ativa no último grau é enxergar o mundo com outros olhos, buscando absorver informações de lugares diferentes onde não costumava buscar. Mantenha-se em constante aprendizado e faça conexões além do tradicional, para fazer isso basta você ser curioso e questionar o motivo das coisas serem como são; isso vai te permitir visualizar paradigmas¹  que poderão ser quebrados futuramente.

¹ Paradigmas são padrões que guiam as nossas ações diariamente. Em muitos casos são padrões criados por algum tipo de crença limitante.

A soma de todo conteúdo que você absorve é chamada de repertório. Busque enriquecer seu repertório expandindo seu campo de interação com o mundo. Escute uma diversidade de músicas, filmes, livros, vídeos e tudo que possa expandir sua criatividade. Você não precisa, necessariamente, gostar, mas é bom que conheça. Em um primeiro momento poderá parecer superficial, mas no longo prazo você aumentará a quantidade de conexões que poderá fazer.

Potencial criativo

“A maior utilização do potencial criativo está no processo de aprendizado decorrente do próprio exercício da criação.” – Marcelo Galvão

Para desenvolver seu potencial criativo mais rápido você pode partir de alguns pressupostos que vão acelerar seu progresso. Em primeiro lugar, sempre considere que cada situação é uma nova situação, por tanto, exige novas soluções. Em segundo lugar, não comece com certezas, comece com dúvidas. Por último, não tente agradar a ninguém, foque em trabalhar no problema e não na aceitação da solução.

Agora, antes de começar a falar das etapas do processo, considero ser muito importante falar sobre a prática. Sabe aquela velha conversa de que “tem que praticar”?! Pois é, ela funciona pra quase tudo nessa vida. Se você quer realmente ser bom em alguma coisa você vai precisar praticar e exercitar para que haja um desenvolvimento verdadeiro. O exercício da criação é que vai te permitir desenvolver projetos cada vez melhores, por isso não pare de praticar.

Etapas do processo criativo

Como havia dito antes, este é um processo que já vem sendo utilizado a bastante tempo. O que eu fiz foi adaptá-lo às minhas necessidades para conseguir ser mais produtivo. Entenda que nada aqui é uma verdade absoluta, mas um modelo que vem funcionando muito bem pra mim e para outros profissionais ao redor do mundo.

1.Contextualização

Esta é a primeira etapa do processo criativo na qual você busca colher o máximo de dados possíveis para solucionar o problema. Para fazer isso, na maioria das vezes, utilizo um documento chamado briefing onde sinalizo os pontos-chave do problema e do contexto no qual estou inserido. Escrevi um post onde explico detalhadamente como criar uma estrutura de briefing que funciona. Se você tem interesse em se aprofundar nessa etapa basta clicar no link abaixo para acessá-lo.

Briefing: Como criar uma estrutura que funciona

Essa etapa tem o objetivo de te posicionar como um observador da situação que ainda aceita as coisas como são e busca ter o máximo de empatia para entender todo o contexto por ângulos diferentes. Isso é importante para que você possa fazer as perguntas certas logo em seguida.

2.Questionamento

O questionamento ocorre quase na mesma hora que a contextualização, tanto que também faz parte do briefing. Após observar o cenário, algumas dúvidas irão surgir e você irá sentir a necessidade de questionar o que está a sua volta, procurando encontrar o verdadeiro sentido do problema. Nessa etapa muitas vezes percebemos que o problema pode ser outro ou que a abordagem pode ser outra. As melhores respostas virão das melhores perguntas.

3.Encubação

Quando absorvemos muita informação nas etapas anteriores é bom que haja uma pausa para descansar e fazer conexões fora da bolha que acabamos de entrar. Quando encubamos a ideia por um período damos a permissão para nossa mente trabalhar em segundo plano.

O tempo para uma ideia ficar encubada varia de acordo com a pessoa e com o problema que precisa ser resolvido. Normalmente as ideias aparecem quando temos a oportunidade de fazer outras conexões sem ficar, necessariamente, buscando a resposta. Em casos mais simples a encubação pode até ser ignorada.

4.Geração de alternativas

Entramos nessa etapa quando encontramos um caminho legal para seguir, ou melhor, um sacada que pode solucionar o problema. Após encontrar uma ideia você deverá focar em produzir o máximo de alternativas possíveis para ela. Por exemplo: Cheguei a conclusão de que preciso criar um ícone que represente o conhecimento e a tecnologia de uma empresa. Tive a ideia de utilizar uma maçã. Agora, nessa etapa, vou focar em gerar o máximo de alternativas possíveis para esse logo em forma de maçã. Imagine quantas formas diferentes podemos desenvolver a partir da forma ideal de uma maçã.

Considero essa etapa a diferença entre um trabalho profissional e outro amador. Projetos que passaram por uma boa geração de alternativas tendem a revelar ótimos resultados no final.

5.Avaliação

Após gerar um nível significante de alternativas vamos partir para etapa de avaliação. O objetivo aqui é selecionar cada uma das opções e mapear os pontos fracos e fortes acerca delas. Muitas vezes jogamos ideias fora antes de avaliá-las devidamente. Será muito mais interessante se, ao invés de fazer isso, você pontue o que é bom e ruim e faça um ranking das ideias. Dessa forma você vai conseguir se embasar melhor na hora de escolher a opção ideal ou perceberá que pode gerar novas alternativas conectando pontos que ainda não havia percebido.

6.Teste das ideias

O objetivo do teste é encontrar vulnerabilidades nas alternativas escolhidas. Você pode fazer isso sozinho, ou pode tirar melhores conclusões chamando outras pessoas (público-alvo) para descreverem o que estão vendo ou sentindo. O segredo aqui é não se deixar levar pela opinião dos outros. Tente colher avaliações técnicas e pontos fracos que ainda não havia percebido, mas não se esqueça que, nesse ponto, ninguém sabe mais sobre o processo do que você.

7.Desenvolvimento

Nessa etapa nos tornamos executores. Se chegou aqui é por que sua ideia resistiu às provas e mostrou estar no caminho certo. Depois de passar por todas as outras etapas você já não tem mais justificativas para abandonar a ideia. Chegou a hora de se aprofundar. Uma vez que você selecionou a melhor alternativa para trabalhar, chegou o momento de desenvolvê-la. Voltando para o exemplo do logo da maçã, é agora que você o deixa pronto para ser utilizado.

8.Concretização

“Deve-se cuidar para que as pessoas que possam validar ou destruir nossas ideias tenham a possibilidade de perceber todo o seu significado” – Marcelo Galvão

Não teria como Marcelo Galvão estar mais certo. Quando vamos apresentar uma solução, devemos nos atentar para revelar o motivo de cada uma de nossas decisões. Como havia dito antes, ninguém sabe mais do processo do que você. Cuide para transmitir o significado por trás do seu projeto e assim minimizará as críticas sem embasamento que podem destruir suas ideias. Deixe que os outros entrem no processo e ajudem na implementação.

Quer mais conteúdo?

O processo criativo é uma das partes mais instigantes do ofício de um designer gráfico e pode ser desenvolvido com um repertório rico e uma boa dose de prática. Se você quer aprender mais sobre esse processo e muitas outras metodologias faça o download gratuito do ebook Abra seus olhos. Esse é um material cheio de livros de referência, sacadas profissionais e um pouco da minha experiência como aluno de design gráfico da UEMG.