Dois caminhos para estudar design gráfico - Ruan Braz
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De um lado o aprendedor dedicado, de outro o aprendiz curioso.

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Escrito por Ruan Braz

há 4 meses

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Então você decidiu que quer aprender design gráfico? Esta é uma jornada que vai exigir muito mais do que seu amor pela criação. Você vai precisar se comprometer para desenvolver suas habilidades e compreender este contexto em que vivemos. Ainda assim, posso garantir que qualquer pessoa pode se tornar um designer profissional se persistir no desenvolvimento e colher as informações certas.

Uma dúvida muito comum de quem começa a estudar design é exatamente sobre qual o melhor caminho para iniciar a jornada. A verdade é que cada trajeto funciona para um tipo de pessoa e você deve avaliar qual deles é o melhor pra você com base nas suas necessidades. Desde o início da minha jornada até atualmente tive a oportunidade de experimentar dois caminhos diferentes e agora vou compartilhar com você as vantagens e desvantagens de cada um deles.

“Cedo ou tarde, você vai aprender, assim como eu aprendi, que existe uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho.” – Morpheus (Matrix)

O caminho Autodidata

Ser um autodidata significa buscar o conhecimento por conta própria sem o auxilio de mentores. No início da minha jornada esta foi a opção que escolhi e por mais que tenha sido difícil me desenvolver posso dizer que foi uma experiência que me preparou para conhecer o design.

Optar por este caminho significa se dedicar para ter disciplina, foco e muita dedicação. A maior desvantagem é que você não terá ninguém te mostrando os pontos cegos e nem te auxiliando sobre a melhor direção que você deve tomar. Ainda assim te digo que é mais do que possível se tornar um designer profissional trilhando esse caminho.

Por onde começar?

O melhor jeito de seguir o caminho autodidata é não sendo completamente autodidata. Para você se auto educar sugiro que busque os conhecimentos clássicos primeiro para que avance mais rápido. Esses conhecimentos são os que estão nos melhores livros sobre design. Busque também conteúdos em blogs e revistas especializadas no assunto. Dessa forma você terá pequenas “aulas” de design que poderão te direcionar.

Você vai precisar da orientação de outras pessoas sobre o seu trabalho, talvez não diretamente com um professor, mas com opiniões de outros profissionais. Lembre-se sempre de ponderar de onde vem os conselhos que pede. Busque a ajuda de pessoas que realmente podem lhe ajudar. Avalie e questione sempre.

Não seja superficial.

Grande parte das pessoas que iniciam por este caminho acabam caindo na superficialidade do assunto. Como estão em uma busca por conhecimento vão utilizar a internet para pesquisar sobre design e vão tender a se aprofundar muito pouco, mantendo o foco em  técnicas que entregam resultados rápidos.

Focar na prática logo no inicio pode dificultar seu processo, uma vez que você ficará cada dia mais próximo de se tornar um executor de computadores ao invés de um designer. Escrevi um post que fala como resolver este problema (Não foque nos tutoriais se quiser aprender design.), mas já fica a dica pra você. Para aprender design busque os princípios e fundamentos primeiro e em paralelo a isso pratique muito.

Publiquei recentemente um e-book que contém tudo que você precisa para começar a estudar design gráfico. Além dos capítulos focados em te direcionar também indiquei os 40 livros mais importantes para meu desenvolvimento como designer. Se você precisa de uma direção para começar este é um ótimo material pra você.

Como entrar no mercado?

Uma das peculiaridades do design gráfico em relação às outras profissões é o fato de que grande parte dos trabalhos e contratos são baseados no portfólio e não no diploma.  Para se destacar no mercado você poderá construir um portfólio que te guiará no seu posicionamento, mas esteja preparado para começar pequeno e tenha paciência. O tempo e a experiência te tornarão cada dia melhor.

Dica: Não seja 100% autodidata.

Começar como um autodidata é um jeito rápido de se aprimorar e chegar mais perto do seu objetivo, mas com toda certeza não te sustentará até o ápice do seu desenvolvimento. Existe um provérbio africano que diz o seguinte:

Se quiser ir rápido vá sozinho, se quiser ir longe vá acompanhado.

Chegará um momento em que você vai se deparar com paredes muito maiores do que suas escadas podem alcançar; é nessa hora que a ajuda de outros profissionais e mentores será de extremo valor. Não estou falando que você deve buscar uma universidade, mas não deixe de ir atrás das comunidades e orientações de outros profissionais.

Dica extra: Seja sempre autodidata.

Eu juro que não estou querendo te confundir, mas isso é muito importante. Mesmo que decida ter alguém para te auxiliar na sua jornada, nunca deixe de ser um autodidata. Se tem uma coisa que me ajudou muito no meu desenvolvimento foi o fato de sempre ser curioso e ir atrás de conhecimento mesmo que ninguém tenha falado para fazer isso. Por esta razão vá além das orientações e busque se auto educar.

O caminho Universitário

Chegou um momento na minha trajetória em que me sentia sem direção, preso nas mesmas superficialidades de sempre. Foi nessa hora que decidi buscar orientação. Em um primeiro momento fui atrás de cursos livres, mas todos que apliquei eram muito focados nas ferramentas. Foi então que perguntei para um professor meu o que deveria fazer se quisesse aprender design de verdade. Ele me indicou ótimos livros e me falou para pesquisar sobre a Escola de Design de Belo Horizonte.

Decidir fazer uma faculdade de design não é uma escolha fácil. Você deverá estar disposto a dedicar de 2 a 4 anos da sua vida além dos custos altos e do tempo investido; que vai além da sala de aula. Apesar de todas essas questões é importante que você também reflita sobre qual o preço por você não ser graduado. Para alguns o preço é alto, para outros nem tanto.

O que esperar de uma universidade.

A primeira verdade que preciso lhe dizer é que a graduação não é uma garantia de emprego. Principalmente no mundo do design gráfico, onde outras variáveis também estão em jogo. Como disse no início do texto uma das peculiaridades do mercado criativo é que um bom portfólio, na maioria das vezes, vale mais do que um diploma. Por isso você precisa avaliar alguns pontos antes de tomar essa decisão.

A universidade é um local que presa pelo conhecimento teórico e apresenta as habilidades práticas do design. O auxílio dos professores vai muito além da sala de aula e o contato com outros alunos ajuda muito no seu desenvolvimento. Além disso você irá absorver uma grande quantidade de informações abordadas em uma sequência que facilite seu aprendizado. Entretanto,  dedicar 2 a 4 anos de estudos pode ser uma tortura para as pessoas que já querem se posicionar no mercado de trabalho.

Vantagens do meio acadêmico.

Além do contato com alunos e professores que estão na mesma jornada que você, o meio acadêmico oferece uma coisa que o mercado não pode oferecer: experimentações fora das exigências comerciais. Quando estamos atuando no mercado temos que seguir algumas diretrizes e padrões que geralmente limitam nosso desenvolvimento. Quando estamos na academia somos motivados a ir além de todas essas restrições fazendo experimentações e desenvolvendo o pensamento criativo.

Quanto mais você experimentar, mais irá se desenvolver como designer e menos comum se tornará. É um pouco paradoxal pois o mercado não te permite se desenvolver assim mas dá muito valor aos designers que têm essa característica.

Desvantagens do meio acadêmico.

Se você quer se posicionar no mercado rapidamente essa opção pode ser torturante para você. Além disso as mensalidades e custos tendem a ser muito altos. Com esforço você consegue se ingressar em alguma universidade do estado que não há mensalidade, mesmo assim terá que arcar com custos de deslocamento e despesas com materiais.

Outro ponto que pode ser doloroso é para quem já sabe em qual área do design quer atuar. A universidade tende a apresentar um contexto geral do que é o design gráfico e as suas principais áreas de atuação. Você terá que passar por trabalhos e aulas que não tem a intenção de aprender naquele momento, mas o ideal é que preste atenção em cada detalhe e aplique todo o seu esforço. Isso irá demandar seu tempo, mas te formará com mais plenitude.

Dica: Conheça a grade curricular.

Essa é uma dica que pode ajudar até mesmo quem não quer seguir o caminho universitário. Conhecer a grade curricular das universidades é como saber quais são os assuntos mais importantes para sua fundamentação. As universidades são polos de conhecimento e com a grade curricular já é possível perceber o que você deve prestar atenção.

Dica extra: Vá além das indicações

Uma das coisas que me possibilitou tirar o máximo de proveito da universidade foi ir além do conhecimento que era aplicado na sala de aula.  Os livros de design têm mais conhecimento embutido do que qualquer um pode imaginar. São décadas de publicações sobre o tema, o segredo é escolher os livros certos. Além disso, aconselho fortemente que você leia as referências bibliográficas que os professores colocam no final das apresentações de slide. Essa é a tela mais importante da apresentação, mesmo assim ainda é muito subestimada.

Pense nos seus objetivos

Escolher por onde começar realmente não é nada fácil, mas pode ser mais simples se você sabe onde quer chegar. Sei que nesse momento você está mais perdido que criança sem pai no meio do shopping, mas se esforce para entender seus objetivos. O que você está procurando nesse momento? Lembre-se que cada caminho tem suas vantagens e desvantagens, a escolha deve partir das suas necessidades.

Caso tenha alguma dúvida (e acredito fortemente que tenha) não deixe de expressá-la nos comentários, assim poderemos desenvolver ainda mais este assunto. Além disso, se você conhece alguma pessoa que precisa ler este texto não deixe de compartilhar. Fico muito feliz que tenha chegado até aqui, pois este é um sinal de que este conteúdo tem valor pra você. Agradeço sua atenção e te encontro logo abaixo nos comentários.