Aloísio Magalhães: Pioneiro do Design Moderno no Brasil
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O que posso falar sobre o designer que se tornou referência nacional e formou uma geração inteira de profissionais?

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Escrito por Ruan Braz

há 3 meses

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Aloísio Magalhães foi um indivíduo de muitas potencialidades. Antes de se tornar designer, estudou Direito na Universidade de Pernambuco e teve seu primeiro contato com a arte através da criação de figurinos e cenografia para o Teatro do Estudante. Assim que se formou em Direito, ganhou uma bolsa para estudar museologia na França e teve a oportunidade de conhecer diversas gravuras e museus da Europa. Quando voltou para o Brasil, organizou, junto à José Laurenio, Gastão de Holanda e Orlando da Costa, O Gráfico Amador; que foi um grupo de experimentações voltado para produção de livros tipográficos de pequenas tiragens.

“O que mais me impressiona no Aloísio Magalhães é esta flexibilidade, este trânsito por múltiplas linguagens; Que acaba tornando a obra dele, como designer, em um toque pessoal dentro daquela ‘frieza’ do design modernista.” – Chico Homem de Melo

Depois de toda essa história, Aloísio viveu mais um momento de transformação. Em uma viagem para a escola de artes do Philadelphia Museum, ele conheceu o artista gráfico Eugene Feldman e compreendeu o pensamento do design. Ficou claro para ele a relevância do projeto para as técnicas de produção em grandes tiragens. Tão importante foi este contato que, assim que  voltou para o Brasil,  Aloísio passou a se dedicar exclusivamente ao design.


Aloísio e Eugene (Fotos: Acervo Aloisio Magalhães)

Aloísio foi um dos pioneiros do design moderno no Brasil e apresentou diversos projetos incríveis que são referência até hoje. Conhecer este profissional vai expandir, não só a sua bagagem cultural, mas também o seu repertório em relação ao design brasileiro.

Sobre os projetos

“A grande instituição formadora do design modernista carioca foi a ESDI, mas a grande escola prática foi o escritório do Aloísio Magalhães.” – Chico Homem de Melo

Como apresentei anteriormente, Aloísio possuía muitas potencialidades diferentes. Apesar de tudo isso, seu maior destaque está em seus trabalhos como designer. Em 1960, ele ficou muito presente para a prática do design, sempre pensando na precisão de seus projetos; tanto na programação visual, quanto na mensagem.

Em 1963, Aloísio Magalhães criou seu escritório exclusivo de design, onde criava as identidades corporativas que viriam a se tornar a referência da época. Rapidamente Aloísio começou a ganhar diversos concursos e prêmios que o colocaram na história do design nacional. Um dos seus primeiros grandes projetos foi a marca do IV Centenário do Rio de Janeiro.

Estrutura da marca do IV Centenário do Rio de Janeiro (Fotos: Acervo Aloisio Magalhães)

Símbolo do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, 1964 (Foto: Acervo Aloisio Magalhães)

Por mais que o símbolo seja simples ele é dotado de muitos significados. Se observarmos sua construção podemos perceber uma série de preocupações que Aloísio já possuía naquela época. Como, por exemplo, o significado da marca, a aplicabilidade, a identidade e a prática da simplicidade sem necessariamente ser simplório.

Em menos de um ano desde seu projeto para o Centenário, Aloísio atuou na criação de outro grande projeto. Dessa vez ele foi selecionado para desenvolver a marca do Instituto Bienal de São Paulo, que ganhou grande repercussão e se tornou um de seus maiores trabalhos. A marca com toda certeza é um exemplo de atemporalidade.

Estrutura do símbolo da Fundação Bienal de São Paulo, 1965, (Fotos: Acervo Aloisio Magalhães)

Versão tridimensional do símbolo da Fundação Bienal de São Paulo. (Foto: Acervo Aloisio Magalhães)

É muito interessante encontrar este tipo de estrutura em projetos de marcas de uma época na qual nem sequer haviam computadores pessoais. O design modernista, focado na forma e na função já apresentava um apreço pela geometria e pela razão dos elementos e Aloísio conseguia projetar dessa forma.

Em 1967, Aloísio começou a trabalhar em um projeto totalmente diferente e muito mais complexo do que seus trabalhos anteriores. Após ganhar um concurso ele ficou encarregado de criar as novas notas e moedas brasileiras. Uma prova da grande área de atuação do design gráfico. Aloísio sempre buscou ir além do tradicional e realizou um projeto que passou na mão de todos os brasileiros.

Banco Central do Brasil Desenho do padrão monetário. (Fotos: Acervo Aloisio Magalhães)

Um dos resultados finais. Mil cruzeiros. (Fotos: Acervo Aloisio Magalhães)

Como designer, Aloísio se tornou referência nacional e alavancou uma grande geração. Sua importância para o design brasileiro foi tão grande que o dia 5 de Novembro foi definido como o Dia Nacional do Design em homenagem à sua data de nascimento.

Para saber mais

Para você que tem o interesse de conhecer ainda mais sobre Aloísio Magalhães, selecionei dois grandes projetos que contam em detalhes a história e apresentam as experimentações e trabalhos do grande designer que ele foi. Acervo Aloísio Magalhães e Enciclopédia Itaú Cultural.

O Acervo Aloísio Magalhães organizou, com muito esmero, tudo que há sobre a história de Aloísio. Diversas fotos, textos e até áudios da trajetória do designer. Já a exposição de 2014 do Instituto Itaú Cultural é uma homenagem à Aloísio Magalhães com um registro incrível. Uma produção em parceria com o Ministério da Cultura e com a Ancine que resultou em ótimos textos, imagens e vídeos de pessoas que estiveram bem próximas a ele.